Terça-feira, 3 de Julho de 2012

A morte está a bater a porta!

A morte está a bater a porta, não á ouves?

 

Depois de o ver, a única coisa que consegui fazer foi segurar-me as barras de ferro da cama, por mais que quisesse poder-lhe segurar na mão e acaricia-la, por mais que me doiá-se ve-lo assim, sentia que não conseguia fazer nada. 

Ve-lo ali deitado sem conseguir falar, cansada tentando ainda assim abrir os olhos para me ver a mim e ao seu filho. Ele tentava se mexer, mas logo parava; devia de lhe doer pois logo a seguir parava. 

Nem falar com ele eu conseguia. Doeu-me tanto, muito mais por ver o meu pai a falar com ele e nem ter uma resposta. O máximo que se conseguia era um aceno com a cabeça.

Sentia a barra de metal mais quente do que pensei, de tanta força com que a agarrava. 

Pouco tempo já tinha passado de ali ter entrado e já me sentia cansada. Pergunto-me se também ele já estaria tão cansado de estar ali.

Os ossos salientavam-se tanto que pareciam querer romper da pele dele. A barba por fazer parecia crescem em frente dos meus olhos. Os braços, as pernas, as mãos, o rosto, tão magro, tão esquelético. Tão penoso, que sentia que ninguém poderia fazer alguma coisa por ele, ali deitado tão indefeso como uma formiga.

Queria poder-lhe fazer um carinho de neta, mas o passado vinha-me a cabeça e lembrava de tudo aquilo que ele nunca fez por mim. Se fosse eu ali deitada na cama, ele teria-me vindo visitar? Ou mesmo vindo até ao hospital?

Meu Deus, o estado dele é tão triste, tão horroroso que tudo naquele quarto parecia morto.

As pequenas sombras estendiam-se pelo chão e parede como se quissesem sair dali o mais depressa possível.

E a única coisa que eu conseguia fazer era olhar para ele, enquanto o meu pai falava com ele sem resposta.

A morte está ali, a ver, a observar, a prestar atenção a tudo. E eu perguntava-me: " por quanto mais tempo vai ele fazer-lhe sofrer, viver ali os seus últimos momentos? Quando vai ela leva-lo para um outro lugar e deixar-nos a toda a família : Como foi isto aconteçer? "

Na hora de ir embora nem lhe consegui dizer " adeus, até amanhã" ou algo semelhante. Não lhe disse nada. 

Talvez quando a hora vier eu lhe direi o mais triste e verdadeiro adeus porque sei que a morte está quase ai.

publicado por NattahL às 22:56
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murmúrios:
De Teresa a 4 de Julho de 2012 às 09:53
Percebo tão bem o que está aqui escrito - a história com o meu avô é exatamente igual (ajudamos mas pensamos "se fosse eu ele estaria a marimbar-se, num quis saber de mim" - seja como for fica orgulhosa pela ajuda de neta que estás a fazer.

Força*


De Teresa a 29 de Agosto de 2012 às 08:36
Eiiiii... nunca mais deste novidades, está tudo bem? :/
(lamento a perda)


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